segunda-feira, 21 de novembro de 2011

1x10 - Ungodly Hour

17:00
“Quantas coisas você consegue realizar em 1 hora? Executar uma tarefa, ficar preso no trânsito, trocar o óleo. Quando se pensa nisso, 1 hora não é muito tempo. 60 minutos. 3.600 segundos. Apenas isso.”

-Gabi, me espera! Eu vou te explicar tudo detalhadamente, só preciso que você me escute. Gritava Rebeca ao tentar acompanhar o passo forte de Gabi. Gabi para por um minuto, com um ar de decepção e os olhos lacrimejando, vira-se para Rebeca e diz:
- E como eu vou saber se eu posso confiar em você? A gente nunca foi assim tão próxima, ultimamente confiar tem sido algo muito difícil pra mim e porque eu o faria justamente com você?
 Rebeca se aproxima de Gabi e diz:
- Eu to te falando que eu tenho um interesse maior a respeito de tudo isso, vou ser bem sincera pra você ao dizer que não é por você que eu vou fazer isso... quer dizer, é também, mas não é o motivo principal.
- Nossa, quanta sinceridade. Respondeu Gabi um pouco desconfortável com a resposta ríspida de Rebeca.
- Aceita minha ajuda?
- Eu tenho outra opção?
- Sim, apesar das circunstâncias não estarem tão favoráveis a você, você sempre tem opções, cabe a você fazer a melhor decisão.
Gabi acena com a cabeça em sinal de concordância e diz:
- Eu só espero que eu não me arrependa.
- Não vai.
Ao dizer isso, Rebeca se aproxima de Gabi e juntas entram em seu carro e partem para fora do condomínio.

17:15


“Uma hora... Uma hora pode mudar tudo para sempre. Uma hora pode salvar sua vida. Uma hora pode fazê-lo mudar de ideia.”


Mesmo que de coração partido, Lizzia não poderia deixar que aquele segredo viesse à tona, apesar de parecer uma situação fácil aos olhos dos outros, ela envolvia muito mais do que uma vida confortável num condomínio de luxo, tal decisão envolvia também a família da médica, e mesmo que sua família hoje fosse os moradores do condomínio, Lizzia não poderia dar as costas àqueles que um dia contribuíram para que o seu sonho de se tornar médica virasse realidade. Enquanto relia pela milésima vez a mensagem que havia recebido, Lizzia retornava lentamente em direção ao carro quebrado para pegar sua bolsa. Por um pequeno descuido, o salto de seu sapato ficara preso entre as pedras da rústica estrada na qual haviam parado. Ao chegar no carro, Lizzia assenta no banco do motorista, deixa seu celular por cima do painel,
retira seus sapatos e pega sua bolsa para que pudesse se encontrar com a misteriosa pessoa que sabia de seu segredo. Sem perceber, Lizzia segue em direção à Rivercourt para solucionar de uma vez por todas o que lhe tirava a sanidade, deixando para trás o que poderia tornar todo este sacrifício em uma completa perda de tempo.


17:30


“Às vezes, uma hora é um presente que damos a nós mesmos. Para alguns, uma hora significa quase nada.”

Recém chegada ao condomínio, Monny sabia que seu intuito principal eram os estudos, mas ela carregava em si toda malandragem que aprendeu nas ruas de Sidney.
- Mike... posso mesmo te chamar assim?
- Pode, eu te disse que pode.
Monny dá um sorriso um tanto quanto envergonhado e segue com o assunto.
- Então, como eu sou nova aqui, o senhor...
- Nada de senhor! Responde Mikeias
- Ah é verdade, me desculpa –sorria Monny – Então, VOCÊ poderia me acompanhar numa volta ao condomínio, é porque eu sou nova aqui e tenho medo de perder, até jacaré eu vi nesse lugar, pode isso?
- Não é jacaré, é um crocodilo, jacarés são nojentos. Responde Mikeias percebendo que havia falado da mesma maneira que Lizzia respondia a todos que chamavam Freud de “jacaré”.
- Tanto faz, os dois podem me morder e eu não gosto dessa ideia! Então, vai me acompanhar?
Mikeias olha pela janela e não percebe a presença de Gisele sentada pensativa em sua varanda. Mesmo titubeando, Mikeias responde:
 - Ah, vamos sim, um simples passeio não faz mal a ninguém e como você vai ficar por aqui durante um bom tempo, nada mais justo do que o anfitrião te apresentar o lugar.
- Ótimo! Respondia Monny visivelmente empolgada enquanto pegava seu celular e sua bolsa para que passeasse durante o fim da tarde pelo condomínio junto de seu “patrão”. Os dois saem pela porta da frente e são surpreendidos por Gisele sentada na cadeira da varanda. Mikeias até gagueja ao ver a sua esposa em sua frente, mesmo que nada tivesse acontecido, ele sabia que Gisele era extremamente ciumenta e não gostaria de ver seu marido circulando por ai com uma colegial.
- Amor, eu vou mostrar o condomínio pra Monny, vem junto com a gente!
- É Dona Gisele, adoraria a companhia de vocês dois.
Gisele se levanta, com o envelope em mãos e segue para dentro da casa sem responder. Mikeias estranha a situação e vai atrás de sua esposa. Mesmo sem Mikeias dizer uma palavra, Gisele diz:
- Mikeias, vai sair com a Monny, ela ta te esperando.
Dizia Gisele sem ensaiar uma cena de ciúmes, o que ela mais queria era se ver livre de todos naquele momento. Ao se assustar com a imediata repreensão de Gisele, Mikeias dá meia volta e segue rumo ao tour por Tree Hill Ravens com a novata.


17:40


“Para outros, uma hora faz toda a diferença no mundo. Mas no fim, continua sendo uma hora.”


O Hospital que parecia estar próximo, só foi visto 30 minutos depois de Daniel se separar de Lizzia. Daniel seguiu até o hospital da maneira mais rápida que pôde chegar, sem até mesmo perceber que não tinha Lizzia por perto. Ao chegar no hospital com Flávia nos braços, um casal de médicos rapidamente veio ajuda-lo
- O que aconteceu com ela?
- Ela tomou uma dose exagerada de um remédio.
- Ok, qual remédio?
- Eu não sei. Disse Daniel com uma expressão tensa.
- Mas eu preciso saber qual o remédio que ela tomou pra poder ajuda-la o mais rápido possível.
- Sem problemas, tem uma médica junto de mim, ela deve estar chegando por ai.
- Não dá pra esperar, ligue pra ela agora. Daniel tenta mas não obtém sucesso.
- Eu vou atrás dela.
- Vai e não demore. Daniel sai rapidamente pela porta do hospital imaginando que a poucos metros encontraria Lizzia, mal sabia ele que a essa altura ela estava mais distante do que nunca do hospital. Por sorte, ele havista um motoqueiro parado sob a sombra de uma árvore na companhia de uma garrafa de Jack Daniel’s. Ao se aproximar do homem, ele mostra seu distintivo e diz.
- Eu vou precisar apreender sua moto para que o senhor não cometa nenhuma besteira
- Mas seu deleg...
Daniel parte rapidamente sem nem dar oportunidade de resposta do bêbado.


17:50 


- Preciso te encontrar no Píer no mesmo horário de sempre, o assunto você já sabe. Continue nesse caminho
Disse Gisele ao aproveitar da solidão em sua casa para realizar essa misteriosa chamada. Não era possível saber com quem ela havia falado, nem se realmente ela havia falado com alguém. Poderia ser apenas um recado na caixa eletrônica... ou não


- Mike, me lembrei que eu prometi a minha mãe que assim que eu chegasse aqui eu visitaria a
antiga escola dela, o senhor pode me deixar por lá?
- Claro, eu também estudei lá, é bom que eu mesmo te apresento o local. Vamos descer que eu te guio!
- Não precisa, eu prometi a ela que faria isso por ela, é um local muito especial pra ela e eu preciso fazer isso sozinha.
Mesmo estranhando a atitude, Mikeias concorda sem retrucar em momento algum, afinal, ele não sabia o motivo de tanto apreço por um local assim. Tentando mudar de assunto, Mikeias responde:
- Você não ta dirigindo não, não faz mal atender o celular no banco do carona.
Ligeiramente incomodada, Monny responde:
- Não é nada que não possa esperar, Mike. Agora eu vou descer pra conhecer o local.
- Ok, cuidado hein, qualquer coisa me liga que eu te busco aqui.
- Pode deixar. Mikeias faz a volta e retorna em direção ao condomínio.
Logo ao virar à esquina, Mikeias consegue avistar de longe a presença de Paulo com o celular em seu ouvido, com uma expressão preocupada. Mikeias se aproxima com o carro e pergunta:
- Ta tudo bem, Paulo?
- Ta sim cara, só estou um pouco cansado e preocupado com uns projetos que eu tenho que desenvolver até o fim do mês, mas não é nada que eu não consiga resolver.
- Fica tranquilo rapaz, você é o melhor arquiteto que eu já vi, com menos de 1 semana você foi capaz de vender todos os imóveis do nosso condomínio, e parece que fez a seleção dos moradores a dedo. Disse Mikeias. Paulo agradeceu e não pode prolongar o assunto, pois seu celular novamente o interrompia. Se desculpando com Mikeias, Paulo se afasta e Mikeias retoma seu caminho mas sem antes deixar de escutar o tom de Paulo ao telefone:
- Eu já to chegando, espera!



 Ao chegarem em seu destino final, Rebeca e Gabi descem do carro.
- Um bar? É aqui que a gente vai resolver o meu problema? Justo em um bar? Pergunta Gabriella.
- Nada como uma distração etílica pra relaxar um pouco, amanhã a gente resolve o nosso problema.  Gabriella responde com um sorriso cansado:
- É, vou ter que concordar, mas primeiro eu preciso ir ao banheiro, desde o começo do trajeto que eu to apertada. Diz dando gargalhadas.
-Ok ok, vai lá.
Ao responder, Rebeca toma seu celular em mãos e digita uma simples mensagem com o seguinte texto: “Entendido”; Ao mesmo tempo, mesmo antes de chegar no banheiro local, Gabi percebe que uma chamada não havia sido atendida, verifica sua caixa eletrônica e ao escutar a mensagem recebida, ensaia uma cara ligeiramente suspeita e solta uma simples frase:
- Não posso agora, você assume daqui, vou colocar fogo na caixa d'água.

Quanto mais andava, mais Daniel percebia que Lizzia o havia abandonado em uma situação difícil. Ao chegar no local em que seu carro estava parado, Daniel entra no carro a procura de sua arma que havia esquecido, afinal, uma arma de fogo não poderia ficar em um local tão suscetível de roubo assim. Ao abrir a porta do carro, Daniel percebe que Lizzia havia deixado o celular em cima do painel. Com extrema decepção, Daniel toma o celular em mãos e percebe que uma mensagem estava em exibição na tela

"Segredos nunca são segredos quando duas pessoas sabem, me encontre as 18h perto da rivercourt"

Percebendo o misterioso conteúdo da mensagem, Daniel se encontra na mesma situação que Lizzia se encontrava. Deveria ele seguir rumo à Rivercourt? Mais do que qualquer outro, Daniel era capaz de saber que mensagens assim não costumam ter finais felizes. Mas seguindo em direção à quadra, Daniel deixaria para trás Flávia. Contudo, Flávia já se encontrava aos cuidados de uma equipe extremamente qualificada do Hospital em que a própria Lizzia trabalhava. Como por um milagre, essa decisão não precisava ser tomada, ao sair do carro, Daniel percebe que uma caixa de remédios estava caída no banco traseiro, local onde Lizzia trazia Flavia ainda desacordada. Prontamente ele sobe no morro ao lado da estrada em busca de sinal para poder se comunicar com o hospital. Não foi preciso procurar por sinal, a uns 100metros era possível avistar um telefone público, do qual Daniel fez uso para contata a equipe médica.
- Amitriptilina... esse é o nome do remédio, Doutor. Logo logo eu estarei ai, eu só preciso resolver um pequeno problema.


17:55


“Uma hora de várias. Várias que virão” 

- Não acredito que depois de tudo isso que eu passei eu vou ter feito papel de idiota, não tem ninguém aqui - Disse Lizzia levando as mãos à cabeça demonstrando grande cansaço devido a toda a situação. Ela segue devagar em direção aos pequenos bancos próximos à quadra e ao se aproximar deles ela avista a figura da misteriosa pessoa que havia lhe enviado a mensagem.
- Como assim? - Disse a Doutora com uma expressão de decepção em seu rosto.


“60 minutos. 3.600 segundos. Apenas isso.”


- Eu não consigo mais sentir o pulso dela
- Os sinais vitais estão muito fracos
- A pressão ta caindo muito rápido, não tem como isso tudo estar acontecendo devido a esse remédio apenas, peça pra que o rapaz que a acompanhou apareça aqui imediatamente, a gente precisa esclarecer essa história.
- Não há tempo pra isso...Desfibrilador, AGORA!



18:00 


- Então é isso? 
Disse Daniel ao avistar Lizzia entrando em um carro de maneira tão rápida que nem o próprio delegado foi capaz de perceber com quem ela estava. Mas, como se tratava de um delegado, aquela história não ficaria por isso mesmo.


“Quantas coisas você consegue realizar em 1 hora? Quando se pensa nisso, 1 hora não é muito tempo. 60 minutos. 3.600 segundos. Apenas isso. Uma hora faz toda a diferença no mundo. Mas no fim, continua sendo uma hora. Uma de várias. Várias que virão. 60 minutos. 3.600 segundos. Apenas isso. E tudo recomeça. E quem sabe o que a próxima hora pode trazer?”

18:01

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