Flavia então com o vaso em sua mão tira a tampa repensando tudo que passou até chegar ali. Ela estava decepcionada, triste, perdida, sem saber como enfrentar tudo... Antes as pílulas eram refugio para completar o vazio que sentia. Mas agora elas pareciam a melhor opção para esvaziar sua mente, pois seu mundo havia ficado cheio demais com tantos sentimentos em conflito. Então, ainda alternando as cenas em sua mente, ela revira o tubo de remédios em sua mão e movendo a cabeça como quem tenta apagar as cenas da mente, coloca todos na boca. As lágrimas escorrem por seu rosto sem intervalo.
‘Watched it all go by, was it really true? Is that what it was, was that really you?’ ♪
As decisões que tomamos moldam nosso caráter. É preciso fazer escolhas e ter a certeza das consequências. Gisele sabia bem das consequências, os fantasmas do passado estavam mais presentes do que imaginava. Ela estava no quarto de Miclote lendo uma história para a pequena dormir. Tentando ignorar por alguns minutos seus problemas e para recompensar o pouco tempo que tem passado com sua filha por estar ocupada tentando deixar oculto seu passado.
- Você sabe que aconteça o que acontecer a mamãe te ama muito, minha pequena. – Confessa Gisele acariciando o rostinho de Miclote.
- Também te amo, mamãe. – Responde a inocente com um sorriso. Elas se abraçam por alguns segundos.
- Já está na hora de dormir. – Fala Gisele pegando um ursinho rosa, o preferido da garotinha, colocando-o ao lado dela e se despede.
- Bons sonhos, meu anjinho! – Da um beijo em sua testa, apaga a luz e sai.
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- Lizzia... Eu... estou sangrando... Meu bebe... – Dizia Gabriela tentava falar ao telefone, tentando pedir socorro, dividida entre o desespero e a dor incontrolável no baixo abdômen, enquanto o sangue escorria por entre suas pernas.
- Deixe seu recado após o sinal... – Falou a secretaria eletrônica.
Gaby estava tão atordoada que não se deu conta que a doutora não tinha atendido ao telefone. Quando percebeu ficou mais desesperada ainda. Tentou os números de Gisele, Rebeca, Flavia, mas nenhuma delas atendeu.
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- “Ah! A Gaby uma hora dessas me ligando. Não é possível. Já não basta vir abusar durante o dia. Não vou atender.” – Resmunga Rebeca sem saber o real motivo da ligação.
Nem por um momento passo por sua cabeça que pudesse ser algo importante. E estava muito ocupada para as conversas fora de hora de Gabriella. Ela ainda continuava em sua sala secreta fazendo pesquisas, mas agora estava pensando no que deu errado no dia do galpão, ela não poderia botar tudo á perder, e pensava como usar o que sabia contra Paulo para fazer do plano um golpe perfeito.
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No quarto do casal está Mikeias ainda pensando no que poderia ter acontecido entre ele e Monny se Gisele não tivesse chegado.
- Estou tão cansada! – Exclama Gisele deitando-se na cama. Mikeias tenta apagar as imagens da sua cabeça e vai abraçar sua mulher.
- Oh, Minha ratazaninha! Vem que te faço uma massagem. – Diz Mike se aproximando dela.
- Massagem? Há quanto tempo você não me faz uma, hein. O que você aprontou? – Pergunta Gisele brincando.
Não sabia ela que ele tinha motivos para sentir-se culpado. E completa:
– Mas já deixo claro que hoje não tem recompensa como da última vez. É SÓ MASSAGEM! – Afirma ela deitando de bruços enquanto ele ia subindo em cima dela.
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- Me ajude!! Eu não sei mais para quem ligar. Ninguém mais me atende. Você precisa me ajudar. – Implorava Gabriella por socorro à Paulo.
- Calma, Gaby! O que aconteceu? – Perguntou Paulo achando estranha a ligação. Afinal Gaby estava há algumas horas atrás na TRIC e estava bem.
- Estou sangrando...
- Sangrando? De brincadeira uma hora dessas, Gabriella. Você... – Antes que pudesse dizer mais alguma coisa ele é interrompido por ela.
- POR FAVOR! VENHA AQUI AGORA! - Gaby grita do outro lado da linha.
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Daniel esta em sua cama com o celular na mão, pensando em sua conversa com Rebeca e alternando os números entre Flavia e Lizzia. Estava confuso. Não sabia para quem ligar primeiro. Seria possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo? Sim, porém amar não. Ele sentia que um dos sentimentos era mais forte. Mas não queria magoar ninguém, embora a essa altura isso já fosse inevitável.
“I’m looking back again tracing back the threads. You said I was a mess or was it just in my head? So, help me decide” ♪- “NÃO! DE NOVO, NÃO! – Pensa Flavia correndo em direção ao banheiro.
Ela ainda não tinha engolido todos os comprimidos. Se apóia na pia em frente ao espelho colocando pra fora todos que ainda restavam em sua boca. Abre a torneira, lava a boca, arrependida levanta a cabeça devagar e depara-se com seu reflexo no espelho. Então, inicia um dialogo consigo.
- Flavia Caner! Você é melhor do que isso! Não pode voltar àquela vida vazia. Você não quer isso! Precisa se recompor e enfrentar a verdade. Por pior que possa ser. Você consegue, você agüenta. ...
- Ahh! A quem quero enganar? Forte? Eu? – Deixando seu lado racional falar. – Minha melhor amiga, meu namorado... juntos? Como vou enfrentar isso? Como?
- Não sei, só sei que a gente precisa se encontrar antes de qualquer coisa. – O seu outro lado respondendo.
- Tudo poderia ser mais fácil. – Exclamou ela. Já concluindo que nada é fácil na vida. Silenciou e ficou observando sua imagem no espelho, como as lágrimas preenchiam seus olhos e escorriam pelo rosto, percebendo que estava cansada demais para continuar aquela ‘conversa’, para responder suas perguntas, para tomar qualquer decisão a respeito dos fatos. Era hora de descansar, pois a escolha da noite lhe renderá muitas consequências no dia que estava por vir.
‘Help me to make up, make up my mind. Wouldn’t that save you’ ♪
Paulo sem entender nada do que estava acontecendo resolve atender ao chamado. Ele não sabia se ela estava falando a verdade ou só queria atraí-lo para sua cama. Mas como a voz dela parecia estar realmente desesperada ele decide tirar a dúvida.
Enquanto isso, Paulo chega a casa de Gaby. Ele vai apertar a campainha mas percebe que a porta está destrancada.
- É bom que seja algo realmente sério, Gabriella. Estava no meio de um trabalho muito importante pra ter vindo aqui pra nada. – Dizia Paulo entrando na sala.
- Na cozinha, Paulo! – Fala com muito esforço, Gaby.
Quando chega na cozinha, Paulo se depara com a cena de Gabriella sentada no chão e ao seu redor uma poça de sangue.
- O QUE É ISSO, GABY? POR QUE VOCÊ ESTÁ SANGRANDO? – Pergunta ele pasmo com a situação.
- Me leve para o hospital, por favor. – Pediu ela já sem forças.
Ele ainda sem entender o motivo de tanto sangue, abaixa e a pega no colo em direção ao seu carro rumo ao hospital. Ele acelerava cada vez mais, mesmo com as ruas estando escorregadias por conta da neve que cai forte. E tentando falar com Lizzia, sem sucesso. Deixou recado na secretária avisando que estava indo para o hospital com Gaby.
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A Dr.ª Lizzia estava ainda tentando entender porque alguém seria tão generoso com ela. O que de fato queriam dando à ela esse dinheiro. Ela suspeitava quem poderia ter transferido o dinheiro para sua conta, mas não via razão aparente para isso. E se põe a pensar:
“ Não posso usar esse dinheiro. Não sei o que quem mandou quer com isso. Será que sabe o que está acontecendo? Não é possível. Se for mesmo isso, será mais uma pessoa envolvida. Como vou conseguir guardar meu segredo. Estou perdida e sozinha. Essa situação está cada vez pior...” – Seus pensamentos são interrompidos pelo toque do telefone. Ela atende.
- Oi!
-Você ainda está acordada!? . – Diz Daniel surpreso, pensou que iria cair na secretária eletrônica.
- Insonia. Me ligando uma hora dessas? Aconteceu algo? Você esta bem? A Flavia?
- Estamos bem. Mas precisamos conversar, Liz.
- Agora? Dani, não vou à sua casa. Isso tem que acabar. Flavia é minha melhor amiga.
- Eu sei, Lizzia. Concordo com você. Por isso te liguei. Estava aqui pensando em tudo isso. E precisava fazer algo em relação. Sei que não é a melhor hora...
- É, essa não é de longe a melhor hora. – Diz Lizzia relembrando todas as suas preocupações.
- Então, você pode me encontrar amanhã, digo, mais tarde no lago próximo a saída da cidade?
- Mas Daniel foi lá que... – Ele a interrompe.
- Sim, eu sei. Mas é o único lugar que podemos ir sem que sejamos vistos.
- Está certo. Estarei lá. – Confirma Liz com tom de remorso na voz. Ao desligar o telefone, ela vê o alerta de mensagem não lida na secretária. Ouve a mensagem de Paulo e sai imediatamente para o hospital.
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Ao chegar no hospital, Paulo rapidamente tira Gaby do carro e percebe que ela havia perdido a consciência, o que faz ele aumentar a agilidade de seus passos.
- ALGUM MÉDICO! ELA PERDEU MUITO SANGUE E DESMAIOU! – Grita Paulo enquanto se dirigia a emergência. Quando dois enfermeiros e um médico já vinham em direção a eles com uma maca e leva Gaby.
“It's always darkest before the dawn ♪ ”
Restavam poucas horas para a madrugada terminar, o silêncio era completo no condomínio THR. A maioria dos moradores já estava dormindo, outros buscando suas respostas e alguns tentando sobreviver à noite mais escura da sua vida.
O sol nasce entre nuvens, apenas clareando a neve que estava por todos os lados. Aquele amanhecer não tinha gosto de dia para os que não haviam dormido.
“All night hearing voices telling me that I should get some sleep, because tomorrow might be good for something" ♪
Rebeca estava se encaminhando para o quarto, quando ouviu seu tablet avisar nova mensagem. O remetente não tinha nome, eram duas letras que para ela faziam sentido: "V. A.", e o corpo da mensagem dizia:
"Sumiram, precisamos colocar tudo em ação antes que seja tarde de mais amor, e eu estou com saudades de você, precisamos de mais encontros privados princesa."
Ela lê apreensiva, porém segura de que agirá antes de uma ‘próxima vez’. A Geek apesar de preocupada já tinha tudo em mãos mas por hora seu ‘trabalho’ estava terminado. O sono a dominava sem por completo.
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No hospital, o médico vinha caminhando em direção a Paulo quando ele levante e questiona.
- Como ela está Dr.?
- Ela está bem agora. Mas... – Estava falando o Médico quando Lizzia chega.
- Finalmente. – Diz Paulo sem dar atenção ao Dr.
- Cadê ela? Como ela está? E o bebe? - questiona Liz
- Era isso que estava tentando explicar agora. Ela está bem, mas infelizmente perdeu muito sangue e não pudemos fazer nada pra salvar o bebe. Ela teve um aborto espontâneo. - Falava o Dr.
- BEBÊ? ABORTO? – Se surpreende Paulo e completa: - Como assim? Ela estava grávida? A Gabriella?
- Você não sabia? Me desculpe lhe dar essa noticia. Sei que esse momento é difícil para os dois. – Diz o médico.
- HÃ? O que você quer dizer com isso? – Diz Paulo assustado.
- Você não é marido de Gabriella? O pai da criança?
- Não, Jake! Ele não é casado com a Gaby. – Diz Lizzia ainda processando tudo aquilo e imaginando como estaria ela agora.
- Ah, me desculpe novamente. – Diz Dr. Jake Reilly.
Paulo não diz uma palavra vira e segue para fora do hospital em direção ao seu carro. Pensando na possibilidade de que realmente fosse o pai do filho que Gaby esperava. Mas na dúvida prefere não acreditar. Afinal agora já era tarde demais para fazer algo.
- Qual o quarto dela?
- 162 – Responde o médico sem entender a situação.
Lizzia segue em direção ao quarto triste pelo ocorrido pensando como pode ajudar Gabriella nesse momento. Ela liga para Gisele enquanto caminha, mas não obtém nenhuma resposta, Giselle estava com o celular na mão no momento e pensou: "Não me basta a Gaby agora a Lizzia também, vou é dormir."
Paulo Está dentro do Carro e antes de voltar para o condomínio recebe uma ligação, ele diz para a pessoa do outro lado do telefone:
- Ótimo, podem ir se acomodando, cuidarei pessoalmente disso, o grande momento se aproxima e tenha certeza de que irá ser recompensada.
Após terminar a ligação Paulo fica com um sorriso no rosto e pensa alto: "Ao final de contas não vou ser o único que termina sem família, hahahaha."
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Na casa dos Scott, Monny acordou cedo e estava pronta para sair. Ao descer as escadas encontra Gisele pensativa observando através da janela para rua.
- Bom dia! Gisele, vou fazer minha matricula na Universidade e procurar lugar para morar.
- Ah, sim. Você já havia avisado, pode ir. – Responde Gi sem muita atenção.
- Miclote está dormindo ainda. Acabei de passar no quarto dela. – Avisa Monny dando satisfação.
- Sim, não se preocupe. Vamos para o parquinho e almoçaremos na casa da mãe de Mikeias. Então, até a tarde não tem com o que se preocupar.
- Certo. – Monny segue em direção a porta. Gisele soube as escadas para acordar Mikeias e as crianças.
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Flavia já estava acordada há algum tempo, mas ficou na cama pensando por onde começar a resolver seus problemas. Quando decide levantar e ligar para Lizzia. Ao pegar o celular, vê que tem uma chamada não recebida de Daniel. Em outra circunstancia poderia ser considerado como bom sinal, mas naquele momento ela não decifrava bem seus sentimentos em relação aquilo. Então, ela aproveita e decide começar por ele. Vai para o banho refletindo tudo que precisa fazer.
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- Renato vá buscar Miclotinha para irmos. – Pede Gisele. Renato resmunga um pouco, pois estava jogando vídeo game, mas logo levanta e vai em direção ao quarto de Miclote.
Na varanda Mikeias e Gisele ficam olhando para rua que está toda coberta de neve.
- Dia lindo para passar com a família, não é minha ovelhinha?!
- É... É sim, Melocoton. – Responde Gisele sem muita animação no tom da voz, embora quisesse disfarçar a falta de entusiasmo.
- Bom diia. – Diz a pequena que adorava dias com neve.
- Bom dia, minha linda. Pronta pra brincar muito? – Diz Mikeias pegando-a no braço e caminhando para o carro. Renato e Gisele pegam os casacos e gorros e acompanham.
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Na mansão principal do condomínio, Paulo estava parado em frente à janela, ainda pensando na possibilidade ter sido o Pai do filho de Gaby, mas isso logo saí de sua cabeça, enquanto observava a família Scott sair de casa. Com um sorriso no canto da boca ele pensa:
-“Aproveitem enquanto vocês podem.” – Pegando o celular e enviando uma mensagem para alguém.
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Daniel não conseguiu dormir e passou a noite em claro a pensar no que diria para Lizzia. Quando estava em frente à lareira com um copo de uísque na mão seu telefone toca.
-“Delegado. Conseguimos algo a respeito do que o senhor nos pediu. Pode vir aqui agora? – Diz a voz do outro lado do telefone.
- Ok! Já estou a caminho. – Desliga o telefone, pega o casaco, tranca a porta de casa, entra no carro e pisa para a delegacia.
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- Gaby, sinto muito pelo que aconteceu. – Diz Lizzia mostrando-se sensível a dor de Gabriella.
- Liz, não sabia que esse ‘bebe’ já era tão importante assim pra mim... – Desabafa Gaby enquanto lágrimas não paravam de cair dos seus olhos.
- Sei que é muito triste, Gabs. Mas acredite que tudo irá ficar bem. – Tenta consolar Liz sem saber bem o que dizer.
- É tão horrível essa sensação de perda que estou sentindo, parece que arrancaram uma parte de mim. Não sabia que isso era tão difícil.
- Você vai superar, Gaby. Pode contar comigo, estou aqui por você. – Enquanto Liz falava, Gabriela ia adormecendo por conta dos calmantes que a deram. Lizzia aproveita o momento para ir a sua casa tomar banho e passar na casa de Gaby pegar roupas para ela. No caminho liga para Flavia.
- Deixe seu recado após o sinal. – Secretaria eletrônica.
- Fla, a Gabriella esta precisando muito de uma psicóloga. Ela esta passando por um momento muito difícil. Não conheço ninguém melhor do que você para ajudá-la. Me liga que te explico tudo. Beijo.
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A psicóloga sai em direção ao seu carro. Antes de entrar, envia uma mensagem em resposta ao recado da amiga.
“Certo. Só não vou agora, pois estou indo atender uns pacientes na cidade vizinha, assim que voltar ligo pra você e combinamos de ir à casa dela.”
Não sabia Flavia que Gabriella estava no hospital. Então, entra no carro que usa para viajar e sai do condomínio.
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No parquinho, a família Scott se diverte como se o mundo não existisse além deles reunidos ali. Eles adoram a neve. A pequena Miclote ficava boba com os bonecos de neve e os anjos.
- Vamos brincar de pique-esconde? – Diz Renato empolgado.
- Não sei se é uma boa idéia, está com muita neve. Miclote ainda é muito pequena – Fala Gisele.
- Que isso, mãe! Eu fico com ela e o pai procura a gente. Vai, vamooos!? – Implora Renato. Que acaba convencendo a Mãe e o Pai.
- Vou contar... 1, 2... – Diz Mikeias apoiando o rosto sobre o braço escorado em uma arvore. Enquanto Renato e miclote vão se esconder, Gisele fica observando sentada no banco.
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No lago próximo a saída da cidade já está Daniel a espera de Lizzia. Andava de um lado a outra impaciente, sem acreditar no que descobriu, mas tentando convencer a si mesmo do que faria.
“É o certo, cara! Você começou isso, você precisa terminar. Não adianta. Agora ajudar ela é sua única prioridade”.
Quando levanta a cabeça vê um carro se aproximar e diminuir a velocidade.
- Ah! Finalmente ela chegou. – Disse Daniel, mas olhando com mais atenção percebe que não era o carro de Lizzia. Franziu o semblante e aproximou desconfiado.
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- Isso não é brincadeira, Renato! Onde está sua irmã? – Diz Gisele abusada com o que achava ser uma brincadeira de mau gosto do filho mais velho.
- Mãe, juro que não estou brincando! Antes fosse.
- Renato, o que aconteceu? – Pergunta preocupado Mikeias.
- Ela estava atrás da pedra perto da ponte pequena comigo. Quando levantei para ver onde vocês estavam, Foi quando abaixei e Miclote já não estava do meu lado. – Tenta explicar Renato desesperado. No fundo se sentia culpado pelo sumiço da irmã.
- Disse que não queria essa brincadeira! – Fala Gisele aborrecida.
- Calma! Brigar não vai nos ajudar a achá-la. Ela deve ter visto alguma criança por perto e quis brincar. Vamos procurar. – Diz Mikeias tentando convencer a si mesmo das suas palavras e não deixar seu desespero aparente.
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- Você? –Diz Daniel surpreso.
- Só assim para lhe ver agora? O que faz aqui andando de um lado à outro? – Pergunta Flavia que coincidentemente precisava passar pelo lago para sair da cidade.
- É.. Vim... Pensar um pouco. – Disse Daniel sem conseguir em uma desculpa melhor para responder a Fla.
Afinal como explicar que ele marcou um ‘encontro’ com sua melhor amiga no local especial deles.
- Precisava de um local tão longe pra isso? Por onde tem andado? – diz Flavia sem aparentar a dúvida que estava na sua cabeça, como se não tivesse visto nada.
- É. Mas aqui é especial, não é. – Fala Daniel sem conseguir não demonstrar seu desconforto. Pergunta: - Você viu minha ligação?
- Err... Vi sim, Dani. Mas agora não da para conversarmos. Quando voltar lhe procuro. – Diz Flavia dando a volta para entrar no carro. Quando o carro de Lizzia aproxima-se dos dois.
- Lizzia aqui? – Exclama Flavia. Enquanto sua mente processava toda aquela situação. ‘Coincidências’ demais para um dia só.
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A família Scott procurou por todos os cantos do parquinho. Perguntaram a todos mostrando a foto da menina que Mikeias tinha no celular. Mas ninguém tinha visto a criança. As horas passaram e eles ainda na procura sem nenhuma pista de onde pudesse estar.
- Precisamos ligar para policia, pai. – Fala Renato.
- É filho acho que você está certo. Acho que sei quem pode nos ajudar. – diz Mikeias pegando o celular para ligar para Daniel.
- Não! – Diz Gisele pegando o celular da mão de Mikeias sem disfarçar seu desconforto.
- Está louca?! Nossa filha desapareceu porque não quer que ligue para Daniel. Ele é delegado, vai saber como nos ajudar. – Não sabia Mikeias que Gisele não iria aceitar que a policia estivesse presente na vida deles.
- Faremos o seguinte... Vocês fazem o caminho de volta procurando e perguntando por ela. E eu vou até a Policia. – Ela segue de carro pensando em como resolverá isso, dividia entre a filha e os segredos do passado. Eles concordam e voltam para casa sem sucesso na busca. Quando chegam encontram Monny sentada no sofá com o notebook em suas pernas.
- Monny! Você está com a Miclote? – Pergunta Mikeias com esperança de alguém pudesse ter encontrado a menina e levado até sua casa.
- Não, Mikeias. A Gisele disse que vocês iriam para o parquinho e que eu não precisava me preocupar. O que aconteceu?
- Não pode ser! Não pode ser! – Diz Mikeias desesperado sem conseguir pensar em lada além da sua pequena perdida por ai com toda essa neve. Ou nas mãos de alguém muito mau.
Esse foi o presente da nevasca esse inverno. A neve tão branca e que já lhes trouxera tantas alegrias hoje era cenário de um dos dias mais sombrios das suas vidas.
‘Well, everybody hurts Sometimes, everybody cries And everybody hurts, sometimes Sometimes everything is wrong ♪
Continua...
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